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PANDEMIA

Estudo da UFF diz que primeira onda da covid-19 deve acabar em outubro

Não haverá segunda onda se a vacina estiver disponível em abril

19 setembro 2020 - 08h00Por Martha Alves*

O Brasil e o Hemisfério Sul devem passar por uma diminuição de casos  de covid-19 a partir de outubro com a aproximação do verão. Enquanto o hemisfério norte, deve registrar aumento dos casos com a chegada do inverno.

A análise está no estudo Detecção Precoce da Sazonalidade e Predição de Segundas Ondas na Pandemia da Covid-19, coordenado pelo professor Márcio Watanabe, do Departamento de Estatística da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo Watanabe, a sazonalidade de doenças significa que existe um padrão anual onde há um momento do ano em que a doença tem uma transmissão maior.

"No caso das doenças de transmissão respiratória, geralmente elas apresentam uma sazonalidade típica do período de outono e inverno, ou seja, elas têm uma transmissão maior e, portanto, uma quantidade maior de pessoas infectadas nos meses de outono e inverno”, explica Watanabe.

O estudo mostrou ainda que geralmente a sazonalidade de uma doença só é detectada após alguns anos de incidência. Mas com a covid foi possível verificar os picos em menos de um ano devido a quantidade de informação produzida por todos os países durante a atual pandemia. Com isso, o professor disse que se comprovou a repetição da sazonalidade verificada na pandemia de H1N1 em 2009.

Watanabe afirmou  ainda que isso acontece no mundo inteiro, mas como as estações do ano são invertidas entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul, os meses da sazonalidade também se invertem.

"Aqui no Brasil e no Hemisfério Sul, o padrão se estende dos meses de abril até julho. No Hemisfério Norte você tem um padrão da doença aparecendo de setembro-outubro até janeiro-fevereiro. Isso vale para praticamente todas as doenças respiratórias”, explicou.

Segunda onda

Modelos matemáticos mostram que a segunda onda do coronavírus o Hemisfério Norte será muito mais forte do que a primeira. 

Segundo o professor Watanabe, a tendência é que essa segunda onda na Europa e na Ásia será maior para muitos países do que a primeira onda, porque o período de transmissão lá é de setembro até março e a primeira onda lá começou no final de fevereiro, já no final do período sazonal.

"Era para ser uma onda grande como no Brasil, mas foi interrompida logo no comecinho, com o efeito da sazonalidade, com um mês e meio. Aí a transmissão caiu muito e essa primeira onda ficou pela metade, por assim dizer”, disse.

Os gráficos do Observatório Fluminense Covid-19 mostram a curva de contágio em ascensão em países como Índia, Rússia, Reino Unido, Itália, Espanha e França, sendo que nesses dois últimos o número de casos atualmente já ultrapassa o pico alcançado em abril.

Em contrapartida, no Brasil e no hemisfério sul,  o pesquisador falou que, se houver uma nova onda, ela será a partir da metade de março de 2021 e terá menor intensidade. Ele disse que provavelmente em abril a vacina já esteja disponível e provavelmente não haverá uma segunda onda. 

“ Caso o país tenha uma segunda [onda], ela com certeza vai ser menor do que essa primeira onda, porque a gente já teve um surto muito grande no país, que durou desde março até agora, com um número significativo de casos. Então, a tendência é que a próxima onda seja menor do que essa primeira”, afirmou.

*Com informações da Agência Brasil